O congresso

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 XV Encontro Nacional da ABET – Associação Brasileira de Estudos do Trabalho

06 a 09 de Setembro de 2017

IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais) – Rio de Janeiro

 

 

O XV Encontro Nacional da ABET ocorrerá entre os dias 06 e 09 de Setembro de 2017.

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3. Local

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Fotos: Fachada do prédio histórico no Largo de São Francisco,  Biblioteca Marina de Vasconcellos (IFCS), escadarias do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS).

Endereço: Largo São Francisco de Paula, nº 1, Centro – Rio de Janeiro – RJ. – CEP: 20051-070.

Mapa:

 

Seguindo uma tradição de mais de duas décadas, a ABET promove encontros nacionais bienais que têm contribuído com o estímulo e intercâmbio da produção científica destinada a discutir questões relacionadas às transformações por que passa o mundo do trabalho na atualidade. Além do enfrentamento do debate acerca do mundo do trabalho, das organizações dos trabalhadores, seus desafios e dilemas, da defesa e ampliação de direitos trabalhistas, têm resultado desses encontros proposições que visam subsidiar políticas públicas de trabalho, emprego e geração de renda. O próximo encontro nacional, que acontecerá de 06 a 09 de setembro elegeu o tema “Trabalho, crise e desigualdade: caminhos e descaminhos da sociedade contemporânea”.

Esse tema se justifica por diversas razões. As crises podem ser pensadas como manifestações agudas de processos de transformação de mais longo alcance. Por isso, pedem análises que procurem romper com as visões unilaterais, unidimensionais ou deterministas. Nas últimas décadas do Século XX, nos anos 1980 e 1990, as transformações políticas, econômicas, tecnológicas, que rebatem diretamente no mundo do trabalho, direcionaram as pesquisas para o fenômeno da reestruturação produtiva e seus reflexos no trabalho, mercado, emprego, renda e em diferentes e complexas configurações produtivas, refletindo-se diretamente nas organizações dos  trabalhadores e em seus cotidianos de trabalho.

Nesse contexto, e vinculado ao movimento do capital que se internacionalizou, somaram-se condições de um desenvolvimento heterogêneo e dependente de recursos externos, no caso brasileiro. Especialmente a partir dos anos 1990, a marca da economia nacional passou a ser a abertura ao comércio exterior, a atração aos investimentos e políticas de ajuste às exigências macroeconômicas da acumulação mundial, prescritas pelas agências multilaterais. Posteriormente, desde meados dos anos 2000, as crises se alastraram provocado profundas transformações na dinâmica produtiva global, com severas consequências sobre os sistemas nacionais de produção e sobre as formas de organização do trabalho. Sob um panorama já reconfigurado pela globalização financeira e comercial, o cenário de acirramento da concorrência internacional pós-2008 induziu os vários segmentos do capital a redesenharem suas cadeias globais de valor, pressionando os mercados de trabalho nacionais a se adequarem à disciplina dessa nova dinâmica de acumulação.

Tanto no plano internacional quanto no nacional, embora não simultaneamente, ocorreram processos de reestruturação econômica e reajustamentos político e social, afetando as relações de produção e de trabalho. As empresas, cada vez mais, recorreram a novas combinações entre os investimentos internacionais, o comércio e a cooperação internacional entre as empresas coligadas, para assegurar a sua expansão internacional e racionalizar as suas operações, demandando a flexibilização das relações de trabalho, respaldadas por grupos e governos locais.

Entre as consequências das crises estão alterações no mercado de trabalho, no emprego, na renda e nas condições de trabalho, que acabam impactando a estrutura social como um todo. Refletir sobre, e analisar essas questões, relacioná-las com as novas formas da organização da produção, cada vez mais globalizadas e competitivas, capturar a miríade de adaptações particulares dos sistemas de relações de trabalho nacionais e globais, tudo isso é de fundamental importância para a compreensão dos caminhos e descaminhos que tomam as sociedades locais e globais neste terceiro milênio.

Nesse cenário, que denota a inserção dependente dos países periféricos e/ou emergentes na globalização capitalista dominada pelas finanças, o debate sobre as crises econômicas e suas repercussões no trabalho e na estrutura social se conecta diretamente com o tema da das desigualdades sociais que, como mostrou Pickety (2014), vêm crescendo no mundo contemporâneo. Enquanto o 1% mais rico do mundo detinha 10% da riqueza em 1970, em 2013 a fatia abocanhada pelos mais ricos dobrou, chegando a 20%. O aprofundamento da desigualdade social está estritamente relacionado com a financeirização da acumulação capitalista, com os modelos produtivos e distributivos adotados pelos países, com os processos de regulamentação e proteção do trabalho e dos mercados de trabalho.

Compreender as interconexões entre dinâmicas econômicas, sociais, culturais, populacionais, territoriais, organizacionais e políticas, em âmbito local e internacional, requer abordagens interdisciplinares e complexas, e é esse o espaço de discussão que a ABET pretende abrir aos estudiosos do mundo do trabalho em seu XV Encontro Nacional.

As ações da ABET e a condução do XV Encontro Nacional 2017 apontam para um grande fórum de debate sobre as relações e condições de trabalho, emprego e desemprego, regulamentações das relações de trabalho, organizações coletivas e sua influência no ambiente da produção, questões regionais, políticas públicas de proteção social e do trabalho, políticas econômicas de geração de postos de trabalho, políticas educacionais e de qualificação do trabalhador, políticas e programas de segurança do trabalho, relações entre trabalho, Estado e desenvolvimento, organização das formas de produção. Expressam esta preocupação, também, as temáticas selecionadas de mesas redondas, fóruns e as muitas ementas dos GTs programados: Desenvolvimento, territórios e trabalho; Regulação, políticas e instituições públicas do trabalho; Trabalho, desigualdade e pobreza; Reconfigurações do trabalho; Sindicalismo e ação coletiva dos trabalhadores; Relações de gênero, raciais e geracionais no trabalho; Trabalho análogo ao escravo: conceitos, manifestações e desafios na sociedade contemporânea; Trabalho e Educação; Condições de trabalho e saúde; Cultura, identidade e subjetividade nos mundos do trabalho; Emprego, estrutura ocupacional e rendimentos; Trabalho e Economia Solidária; Dinâmicas demográficas e trabalho; Tecnologia, gestão e processos de trabalho; História social do trabalho.

Nas últimas décadas do Século XX, nos anos 1980 e 1990, as transformações políticas, econômicas, tecnológicas, que rebatem diretamente no mundo do trabalho, direcionaram as pesquisas para o fenômeno da reestruturação produtiva e seus reflexos no trabalho, mercado, emprego, renda e em diferentes e complexas configurações produtivas, refletindo-se diretamente nas organizações dos  trabalhadores e em seus cotidianos de trabalho.

Um novo contexto se estabeleceu a partir do início dos anos 2000 e, com ele, novos desafios se apresentaram aos estudos do trabalho. Com a retomada do crescimento econômico, o incremento das políticas sociais, o fortalecimento das negociações coletivas e a melhoria nos indicadores de emprego e renda, ao mesmo tempo em que, de um lado, não foram realizadas transformações de caráter mais estrutural no combate às desigualdades e discriminações que marcam o padrão de relações de trabalho no país e, de outro, medidas de flexibilização continuaram sendo implementadas, ganharam maior evidência temáticas como trabalho e desenvolvimento, políticas públicas de trabalho, emprego e renda, novo momento da negociação coletiva, Direito do Trabalho, novas tendências e configurações sindicais, entre outros. Em todos esses contextos, questões tidas como “transversais” seguiram marcando as abordagens sobre as condições de trabalho e as formas de organização e luta dos trabalhadores, com destaque para gênero e etnia/raça. De outra parte, a questão da interdisciplinaridade/multidisciplinaridade se impôs como uma necessidade estratégica, seja para os estudos do trabalho em geral, seja para a ABET em particular, a qual nesse mesmo período vem se afirmando cada vez mais como espaço de articulação das diversas tradições de estudos devotadas ao tema do trabalho no país.

No que diz respeito ao momento atual, o Brasil tem sido palco nos últimos dois anos de um processo agudo de crise política e de crise econômica que estão desembocando em um ataque sistemático aos direitos dos trabalhadores garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, pela Constituição de 1988 e pelas políticas sociais implementadas pelos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff. Processos semelhantes também vêm acontecendo em outros países da América Latina, implicando em reformas econômicas, políticas e sociais regressivas do ponto de vista dos direitos dos trabalhadores estão em curso. Ademais, cresce a presença, nos principais países do centro do capitalismo, de grupos de extrema direita voltados, principalmente, contra imigrantes; e recrudescem as políticas neoliberais. Quais são os impactos dessa conjuntura sobre os trabalhadores brasileiros? Como ela afeta a relação entre eles e suas lutas por direitos, pela defesa de uma relação menos ou não predatória com o meio ambiente? Como se organizam homens e mulheres, negros e negras, a comunidade LGBT na sua vida laborativa? Que impactos essa conjuntura traz especificamente sobre os locais de trabalho e as relações produtivas e hierárquicas que nele se estabelecem? As metamorfoses do modelo de desenvolvimento que o Brasil vem adotando, tendo em vista os grandes desafios da crise mundial e nossa posição de país emergente na divisão mundial do trabalho, serão objetos de análise multidisciplinar nos diferentes Grupos de trabalho, mesas redondas e conferências   que ocorrerão no  XV Encontro Nacional da ABET. O encontro de 2017 busca, assim como os outros que o precederam, um debate inter e multidisciplinar, articulando as investigações das diversas áreas de pesquisa cuja temática se relacione ao trabalho na sociedade contemporânea.

5. Público alvo

O público alvo dos Encontros Nacionais da ABET é constituído de profissionais que atuam em áreas vinculadas à temática do Trabalho. Tendo em vista o caráter multidisciplinar da ABET, os professores, pesquisadores, profissionais liberais e servidores públicos, além de especialistas, bolsistas e alunos de graduação e de pós-graduação são provenientes das mais diferentes áreas, tais como Sociologia, Economia, Administração, Direito, Geografia, História, Engenharia, Educação, Psicologia, Saúde do Trabalhador, dentre outras.

– Público estimado:  1500 participantes

– Amplitude geográfica do evento: Nacional com convidados estrangeiros

6. Sobre a ABET

Associação Brasileira de Estudos do Trabalho

A ABET é uma sociedade civil de caráter técnico-científico, sem fins lucrativos, fundada em 1989, em São Paulo, com prazo indeterminado de duração e conta com aproximadamente 400 (quatrocentos) associados. Desenvolve eventos e atividades acadêmicas direcionadas à área-tema de seus objetivos e que possam ter implicações em políticas públicas. A Associação realiza encontros nacionais bienais que elegem uma temática central estruturante das discussões nas conferências, mesas redondas, reuniões com temáticas específicas e sessões de apresentação de resultados de pesquisas voltadas para o mundo do trabalho, selecionados por comissão científica.

Paralelamente aos encontros nacionais, a Associação desenvolve meios para estimular a divulgação de pesquisa através de sua política de publicações: edita regularmente um Boletim Informativo, a Revista da ABET e mantém um site (www.abet-trabalho.org.br). A ABET privilegia a proposta multidisciplinar onde se conjugam as Ciências Econômicas, o Direito, a Sociologia, a Ciência Política, a História, a Medicina e Segurança do Trabalho, a Educação, a Psicologia, a Antropologia, a Engenharia, entre outras.

A ABET apresenta-se historicamente como um espaço amplo para debates dessa área específica que requer olhares que transponham barreiras consolidadas pela divisão das ciências e possam captar as transformações econômicas e sociais e, com isso, fornecer instrumentos para intervenções em políticas públicas. Os diretores e presidentes, desde a sua fundação, têm trajetórias consolidadas de pesquisa em instituições públicas de ensino e pesquisa, caracteristicamente universidades federais.

 

  1. São objetivos da ABET
  • difundir resultados de pesquisas e do ensino na área de estudos do trabalho, mediante o desenvolvimento de atividades acadêmico-científicas;
  • promover o debate de questões relativas ao trabalho no Brasil e no mundo.
  • incentivar o conhecimento inter e multidisciplinar sobre o trabalho pela aplicação das diversas disciplinas e ciências voltadas para o seu estudo;
  • fortalecer o intercâmbio científico entre os pesquisadores das disciplinas dedicadas às questões do trabalho, como a Economia, o Direito, a Sociologia, a História, a Medicina e Segurança do Trabalho, a Educação, a Psicologia, a Antropologia, a Engenharia e outras;
  • criar um fórum científico em nível nacional para o debate dos problemas afetos ao mundo do trabalho;
  • realizar encontros, congressos, conferências, publicação e divulgação da produção científica na área do trabalho;
  • manter contatos e parcerias com entidades congêneres nacionais e internacionais e atividades pertinentes à realidade do trabalho;
  • desenvolver atividades conforme eixos temáticos específicos na área de estudos do trabalho, que constituem Grupos de Trabalho (GTs)
  • estimular a formação de uma rede de pesquisadores da temática trabalho pertencentes a Grupos de Pesquisa nas diversas áreas afins.

 

 

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