Mesa redonda 8 – Trabalho, crise e políticas de austeridade no Brasil recente

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Data: 09/09/2017

Horário: 8:30

Mesa redonda 8 – Trabalho, crise e  políticas de austeridade  no Brasil recente

Coordenador:

Marco Aurélio Santana (UFRJ)

Palestrantes

Ricardo Antunes (UNICAMP)

Graça Druck (UFBA)

Ruy Braga (USP)

 

Ementa

A proposta da mesa é discutir os efeitos das políticas estabelecidas para o mundo do trabalho pelos governos de Lula, Dilma e Temer, bem como as respostas dadas pela classe trabalhadora diante de tais iniciativas. Estarão em tela os contextos de crise social, política e econômica enfrentados por estes governos. A mesa buscará discutir os limites e possibilidades apresentados em termos do mundo do trabalho pelos governos do Partido do Trabalhadores (PT), e o cenário aberto pelo governo Temer. Após um período de estabilidade e crescimento na primeira década dos anos 2000, o Brasil entrou em um período de profunda crise econômica, social, política e institucional. Assim como seu período de bonança deveu-se, em grande medida, às condições internacionais, as causas mais profundas da atual crise brasileira possuem fortes componentes globais. Elas são parte do movimento efetuado pelo capitalismo, nas últimas décadas do século XX, em busca por impulsionar seus ciclos de acumulação e desviar-se, mesmo que temporariamente, de seus próprios limites, expressos em crises com profunda repercussão mundial. Na era em que a mundialização e financeirização do capital atingiram seu ponto alto, essas crises têm se tornado mais frequentes e profundas ao redor do globo.

O advento da crise de 2008 e seu impacto nos diferentes países do globo é parte desse processo. Inicialmente, atingiu os países capitalistas centrais, como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Inglaterra, França, Itália, entre outros. Mas, dada sua conformação global, desigual e combinada, projetou-se para as diversas nações do mundo asiático, atingindo também países de desenvolvimento intermediário, como os que compõem o chamado BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e, mais acentuadamente, o conjunto da periferia do sistema As repercussões da crise no Brasil, considerada de início como “marolinha” pelo governo Lula, foram pouco a pouco solapando o projeto do PT, vigente desde 2003. Implantado ao longo dos dois mandatos presidenciais consecutivos de Lula e, a partir de 2011, por sua sucessora, Dilma Rousseff, o projeto começou a dar sinais claros de desmoronamento em 2013, quando as rebeliões de rua atingiram, em junho, seu ápice. O quadro ficou ainda mais grave após as eleições de 2014. Apesar do defendido na campanha, Dilma empreendeu políticas austeras, capitaneadas por um representante dos banqueiros, Joaquim Levi, que poucos resultados trouxe, a não ser aqueles duríssimo sobre a classe trabalhadora. Em meio à crise política e econômica, uma articulação golpista parlamentar, judiciária e midiática apeou Dilma Roussef do poder, pondo fim há 13 anos de governos do PT.

O governo Temer já assumiu apresentando suas armas e defendendo projetos de austeridade que aprofundam aqueles já oferecidos pelo governo Dilma. Recompondo a volátil base de apoio parlamentar, Temer vai avançando no parlamento no sentido do controle dos gastos, que terão impactos óbvios sobre os investimentos em educação e saúde. Já estão sinalizadas as reformas trabalhista e previdenciária que afetarão fortemente o mundo dos trabalhadoras e trabalhadores. Após papel de destaque na destituição da presidente, o Poder Judiciário continua em sua atuação marcada pela seletividade, que visa ao PT e aos movimentos sociais, implementando uma legislação de exceção que busca garantir tranquilidade e paz social ao novo governo. Estamos claramente retornados ao cenário do neoliberalismo mais puro, agora em fase 2.0

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