Fórum 4 – Mercado de trabalho, pobreza e desigualdade

0

Data:  08/09/2017

Horário: 17 horas

Fórum 4 – Mercado de trabalho,  pobreza e desigualdade

Coordenador:

Cimar Azeredo (IBGE)

Participantes:

Laís Abramo  (Diretora da Divisão de Desenvolvimento Social da CEPAL)

Paulo Jannuzzi (Prof. ENCE/IBGE)

José Ribeiro Guimarães (Oficial de Programa na OIT/Brasil)

Marcia Leite  (Profa FE e IFCH/UNICAMP)

Resumo

O objetivo dessa mesa é discutir a relação entre o mercado de trabalho e os processos recentes de redução da pobreza e da desigualdade social, no Brasil e na América Latina. Segundo a CEPAL (CEPAL, 2015; CEPAL, 2016a), o período compreendido entre os anos 2000 e 2014 foi marcado por um significativo processo de redução da porcentagem de pessoas em situação de pobreza sobre o total da população (de 48% a 28%) e extrema pobreza (de 22,6% a 11,8%). No mesmo período também se observa um processo significativo de redução da desigualdade de renda, medido pelo índice de Gini. No entanto, ambos fenômenos continuam sendo problemas estruturais de grande magnitude na região. As estimativas da CEPAL para 2015 apontam um total de 175 milhões de pessoas em situação de pobreza, das quais 71 milhões estariam em situação de extrema pobreza. Além disso, apesar de também haver registrado uma diminuição significativa no mesmo período, uma porcentagem importante da população da região vive em situação de vulnerabilidade à pobreza, o que significa que poderia recair nessa condições tanto por eventos de natureza pessoal (como doenças e acidentes) quanto pelas tendências de aumento do desemprego e restrição do gasto público social.

Os avanços na redução da pobreza e desigualdade de renda nesse período sem dúvida estão relacionados a um período em que as taxas de crescimento econômico foram favoráveis, no contexto conhecido como de boom das commodities. Mas se devem fundamentalmente a um contexto político no qual os objetvos de redução da pobreza e da desigualdade social ganham um espaço inédito na agenda pública de muitos países, onde se rearfima uma agenda de direitos, se avança na superação de uma visão reducionista de políticas sociais focalizadas (e em oposição às políticas de caráter universal), se fortalece a ação redistributiva do Estado e se implementam políticas ativas no âmbito social e do mercado de trabalho. Esses resultados positivos se relacionam sem dúvida às políticas de combate à pobreza, mas estão também fortemente relacionados a fatores do mercado de trabalho, entre os quais se destacam a redução do desemprego, o aumento da participação laboral feminina, os processos de formalização do trabalho, as políticas de valorização do salário mínimo e, em alguns países, entre os quais o Brasil se destaca, ao fortalecimento da organização sindical, dos processos de negociação coletiva, e dos espaços de diálogo social (CEPAL, 2015).

A conjuntura atual, no entanto, trás novos e complexos desafios, que ameaçam os avanços sociais assinalados. No caso do Brasil, marcado por uma crise econômica de grandes proporções, por um forte aumento do desemprego, isso ainda é mais preocupante.

Nesse contexto, o propósito dessa mesa será analisar a relação entre mercado de trabalho, pobreza e desigualdade no período em que se produziram os avanços assinalados e os desafios atuais em relação às possibilidades e caminhos que seapresentam no sentido de preservá-los e aprodundá-los, tendo em vista inclusive o compromisso internacional assumido em torno à Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, que define, entre as suas prioridades, a erradicação da pobreza “em todas as suas formas e em todos os lugares”, “sem deixar ninguém para trás”.

BIBLIOGRAFIA

CEPAL, 2015. Desarrollo social inclusivo: una nueva generación de políticas para superar la pobreza y reducir la desigualdad social en América Latina y el Caribe. Santiago, CEPAL.

CEPAL, 2016. Panorama Social de América Latina. Santiago, CEPAL

Powered by themekiller.com