GT 09 – Trabalho e saúde

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9) Trabalho e saúde

Coordenadores: Jose Augusto Pina  (FIOCRUZ) e José Roberto Heloani (Unicamp)

Alta prevalência de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho caracterizam o vasto campo da Saúde do Trabalhador. No Brasil, parta relevante dos infortúnios laborais está diretamente associada a condições de trabalho historicamente precárias. Além disso, assiste-se à mudança no perfil do adoecimento devido à introdução de novas formas de organização e de gestão que têm aumentado a intensidade do trabalho e levado à deterioração das condições de trabalho. Assim, o mundo laboral atual criou contradições muitas vezes incompreensíveis para os profissionais. Se, de um lado, há uma hipervalorização da motivação para o trabalho, por outro, gera-se cada vez menos empregos estáveis e bem remunerados. Se as empresas propagam as vantagens do trabalho em equipe, o que se vê na prática é uma competição acirrada no seu interior e o declínio da ética no trabalho. Este cenário traz efeitos sobre as pessoas, que são exigidas no seu desempenho profissional a ser “flexíveis”, “globais” e “autossuficientes”- entre outras características. Isto acaba acarretando, como consequência, diferentes formas de sofrimento psíquico no trabalho. Segundo Christophe Dejours, “o trabalho não é, como se acredita frequentemente, limitado ao tempo físico efetivamente passado na oficina ou no escritório. O trabalho ultrapassa qualquer limite dispensado ao tempo de trabalho; ele mobiliza a personalidade por completo”. Desta forma, perguntamos se as organizações estão criando “Processos Organizativos” em seus ambientes que permitem  aos trabalhadores certa qualidade de vida e o mínimo de  satisfação; ou, ao contrário, se esmeram na elaboração de sistemas  que poderiam, sem muita cerimônia, ser denominados de “Processos Espoliativos” (Heloani, 2014). Concomitantemente a tudo isso, observa-se a fragilidade do movimento sindical para assumir o protagonismo da luta para a melhoria das condições de trabalho e a insuficiência das ações e políticas públicas de  proteção à saúde dos trabalhadores. Revelar os determinantes dos agravos à saúde dos trabalhadores, a precariedade do funcionamento das empresas e das condições de trabalho, assim como os mecanismos necessários à negociação social e a transformação das situações de trabalho, são elementos centrais para o debate, em perspectiva multidisciplinar, centrado em diversas abordagens de análise do trabalho

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