Edital ABET 2017

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XV Encontro Nacional da ABET

Crise política, crise econômica e os desafios para o trabalho

Rio de Janeiro – UFRJ – de 6 a 9 de setembro de 2017

Crise política, crise econômica e os desafios para o trabalho é o tema central do XV Encontro Nacional da ABET a realizar-se de 6 a 9 de setembro de 2017 na cidade do Rio de Janeiro (RJ), na UFRJ.

O Brasil tem sido palco nos últimos dois anos de um processo agudo de crise política e de crise econômica que estão desembocando em um ataque sistemático aos direitos dos trabalhadores garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, pela Constituição de 1988 e pelas políticas compensatórias implementadas pelos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff. Processos semelhantes também vêm acontecendo em outros países da América Latina onde situações de modificação parlamentar dos resultados eleitorais e reformas econômicas regressivas do ponto de vista dos trabalhadores estão em curso. Ademais, cresce a presença, nos principais países do centro do capitalismo, de grupos de extrema direita voltados, principalmente, contra imigrantes; e recrudescem as políticas neoliberais. Quais são os impactos dessa conjuntura sobre os trabalhadores brasileiros? Como ela afeta a relação entre eles e suas lutas por direitos, pela defesa de uma relação menos ou não predatória com o meio ambiente? Como se organizam homens e mulheres, negros e negras, a comunidade LGBT na sua vida laborativa? Que impactos essa conjuntura traz especificamente sobre os locais de trabalho e as relações produtivas e hierárquicas que nele se estabelecem?

O XV Encontro Nacional da ABET pretende discutir em suas conferências, mesas redondas e grupos de trabalho essas e outras questões que mobilizam os pesquisadores do trabalho. O encontro de 2017 busca, assim como os outros que o precederam, um debate inter e multidisciplinar, articulando as investigações das diversas áreas de pesquisa cuja temática se relacione ao trabalho na sociedade contemporânea.

 

Submissão de trabalhos

O ato de inscrição de trabalho em GT ou de Mesa Redonda implicará o pagamento de uma taxa:

Graduação: R$ 25,00

Pós-Graduação: R$ 50,00

Profissionais: R$ 100,00

Um pesquisador poderá apresentar até dois trabalhos no evento e cada um deles pode ter, no máximo, três co-autores. As taxas descritas acima são por trabalho, e não por autor/pesquisador. As propostas de mesas-redondas não serão cobradas coletivamente, mas nas inscrições individuais dos trabalhos.

A submissão de trabalhos deve ser feita pelo site: http://www.abet2017.com.br

 

Regras para submissão de trabalhos gts, mesas redondas e pôsteres

Cada participante poderá inscrever até dois trabalhos no evento e o número máximo de co-autores permitido é de três. Ao realizar a inscrição, o proponente do trabalho deverá indicar 1) a modalidade de participação (se comunicação ou pôster em Grupo Temático – doravante GT – ou comunicação em mesa redonda) e, no caso de comunicação ou pôster em GT, indicar o escolhido; e b) no caso de mais de um autor, indicar o primeiro. Eventualmente, a Comissão Organizadora do evento poderá remanejar a distribuição da proposta de um grupo para outro.

Regras comuns para apresentação de comunicações em GT e mesa redonda

A Comunicação pode ser a apresentação de resultados preliminares de pesquisa em curso ou a apresentação de resultados de uma pesquisa já concluída. (Um mero projeto de pesquisa não atende os requisitos de uma comunicação.) O texto a ser submetido deverá conter entre dezesseis e vinte e cinco mil caracteres (contado com folha de rosto com o nome do evento, nome e número do GT, nome(s), filiação institucional e e-mails para contato do autor(es), título do trabalho, espaços, notas e bibliografia), em Times new roman 12. As propostas de trabalho que ultrapassarem esse limite não serão consideradas. O texto do trabalho deve definir claramente o tema que será examinado, apresentar as suas teses e argumentos, explicitar o debate bibliográfico no qual se insere e a metodologia de pesquisa utilizada. A comunicação será publicada nos Anais do evento. Alguns trabalhos poderão, posteriormente, ser selecionados para publicação na Revista da ABET. Em tais casos, o autor deverá fazer uma revisão do texto apresentado e poderá dar-lhe um desenvolvimento maior. Importante! Os textos devem seguir as normas de citação e para referências bibliográficas indicadas pela ABNT.

Regras específicas para mesas redondas

Cada mesa redonda deverá conter quatro pesquisadores no máximo e três no mínimo. O proponente da mesa redonda deverá ser seu coordenador e deve, obrigatoriamente, também apresentar uma comunicação. Caberá ao proponente apresentar um resumo expandido da proposta de mesa redonda que contenha os itens: tema, justificativa, breve discussão bibliográfica, e três linhas de apresentação curricular de cada um dos nomes propostos para compor a mesa. Indicamos que as mesas redondas sejam compostas, preferencialmente, por membros que tenham título de doutor ou acima. Em caso de não aprovação da proposta de mesa redonda, a comissão organizadora indicará os trabalhos aprovados devidamente inscritos para um Grupo Temático que avaliar como pertinente.

 

Regras específicas para apresentação de pôsteres

Para apresentação de pôster no XV Encontro Nacional da ABET, o proponente deve apresentar o mesmo em versão completa no ato da inscrição do trabalho (tal como as comunicações em GTs e mesas redondas). Cada pôster poderá ter, no máximo, três autores. É obrigatória a inscrição no encontro nacional da ABET e a exposição do pôster impresso na sala das sessões do GT. Caberá ao expositor fixar o pôster, no local destinado para tal, já no primeiro dia de sessão do GT. A responsabilidade pela confecção do pôster é do expositor. Os pôsteres ficarão expostos nas salas de realização dos Grupos de Trabalho durante o evento.

Os coordenadores de GT estão encarregados de organizar as atividades e assegurar que os expositores possam apresentar seus pôsteres de modo breve no espaço do GT.

Regras para a confecção: 

a) Tamanho do pôster: 0,90m de largura por 1,00m de altura.
b) O texto do pôster deve ser legível à distância de um metro.
c) A fonte utilizada deve ser de fácil leitura.
d) As cores do painel devem combinar para permitir uma boa visualização.
e) O papel utilizado não pode ser muito pesado, por dificultar a fixação.
f) As informações devem priorizar a visualização das ideias centrais.
g) Podem ser utilizadas figuras, imagens, tabelas, ilustrações bem visíveis.
h) O painel deve despertar o interesse do público.
i) O pôster dever conter no espaço superior centralizado:

1.    Título do trabalho (com letras maiúsculas);
2.    Autor(es);
3.    Instituição(ões) do(s) autor(es);
4.    Agência de fomento da pesquisa (se houver);
5.    Objeto e objetivos: definição do objeto, dos objetivos
6.    Metodologia: explicitação breve da metodologia ou forma de abordagem da pesquisa e das fontes utilizadas.
7.    Resultados/ conclusões: destacar os principais resultados a partir dos objetivos propostos.

 

Informação importante para todos os proponentes de comunicações ou pôsteres em GTs, Mesas Redondas:

Apenas receberão certificados aqueles autores que pagarem a inscrição do evento e estiverem presentes na apresentação do trabalho.

Prazos e valores das inscrições

(Para participantes com trabalhos aceitos e para ouvintes que desejem certificados)

 

Inscrições Inscrições

Faixa 1

Até 31/07/2017

Inscrições  

Faixa 2

Até 01/08/2017

Inscrições no evento
Profissionais R$ 350,00 R$ 525,00 R$ 600,00
Estudantes de Pós-graduação R$ 170,00 R$ 160,00 R$ 300,00
Estudantes de Graduação R$ 100,00 R$ 80,00 R$ 200,00

 

Informações importantes

  1. A participação no evento pode ser como ouvinte ou com Apresentação de Trabalhos (artigo ou pôster); os valores de inscrição são os mesmos.
  2. É possível inscrever até dois trabalhos, basta indicar o GT, o título e a categoria (artigo e/ou pôster). Será cobrada apenas uma inscrição por pessoa.
  3. Estudantes de Graduação ou de Pós-Graduação devem apresentar comprovação de sua condição de estudante no ato da submissão de trabalhos para fazer jus ao pagamento com desconto (haverá espaço reservado no site para anexar comprovante digitalizado).

Grupos Temáticos: mentas e coordenadores

1) Desenvolvimento, territórios e trabalho

Coordenadores: José Ricardo Ramalho (UFRJ) e Roberto Véras de Oliveira (UFPB)

O momento atual de nova ofensiva neoliberal e conservadora no Brasil e América Latina está pondo fim à recente retomada das políticas orientadas ao desenvolvimento, o que tende a repercutir dramaticamente nas formas de trabalho e nas práticas coletivas dos trabalhadores. O novo contexto tem exigido uma necessária ligação da temática do trabalho com: os contextos específicos dos “territórios produtivos”, especialmente onde incidem grandes projetos; as estratégias de investimento das cadeias produtivas, que redimensionam as relações entre as escalas local, regional, nacional e global; as políticas econômicas vis-à-vis as políticas sociais, nas suas conexões e disjunções; as implicações recíprocas entre as políticas macroeconômicas, a questão ambiental e o futuro dos padrões de relações de trabalho. Este eixo temático visa, com isso, problematizar a configuração contemporânea das relações de trabalho e as novas condições da ação coletiva, no Brasil e na América Latina, em perspectiva interdisciplinar, em escalas micro, meso e macrossociais. Leva em conta uma dupla perspectiva: numa mão, as implicações das novas políticas neoliberais sobre as dinâmicas sociais do trabalho; e na outra, as influências que as novas configurações do trabalho têm trazido para o novo momento socioeconomico.

2) Regulação, políticas e instituições públicas do trabalho

Coordenadores: José Dari Krein (Unicamp) e Magda Biavaschi (Unicamp)

 As profundas transformações econômicas, tecnológicas, políticas e sociais a que se tem assistido nas últimas décadas têm sido responsáveis por intensas e complexas mudanças sobre o trabalho. Tais mudanças, que se dão ao mesmo tempo em vários planos (na organização do trabalho, nas formas de contratação, nas relações de trabalho, na organização e representação dos trabalhadores/as), interferem, por sua vez, de maneira muito importante na qualificação da força de trabalho, (re)colocando um conjunto de questões caras à Sociologia e a Economia do Trabalho. Nesse contexto, adquirem centralidade temas como: ciência e tecnologia; o papel do conhecimento na sociedade contemporânea; novas necessidades e possibilidades da organização da produção e do trabalho; desafios atuais da educação e da qualificação profissional frente às novas demandas do mercado e às possibilidades de desenvolvimento, de inclusão social e de cidadania; certificação de competências; os sistemas de formação profissional.

 

 3) Trabalho, desigualdade e pobreza

Coordenadores: Anete Brito Leal Ivo (UFBA) e Cassio Calvete (UFRGS)

No período de 2004 a 2013 houve uma melhoria contínua do Mercado de Trabalho brasileiro que de certa forma ensejou uma virtuosidade entre a dinâmica do mercado de trabalho e a redução da desigualdade e da pobreza no país. No entanto, desde 2014 esse ciclo virtuoso entrou em colapso. Por isso, a ABET definiu como eixo estratégico os temas do trabalho, da desigualdade e da pobreza – e suas múltiplas interconexões – procurando apoiar a elaboração de estudos, pesquisas e análises que mostrem relações efetivas entre a dinâmica do mercado de trabalho (especialmente no que tange à evolução do emprego formal e dos salários) e seus efeitos sobre a redução da pobreza e da desigualdade. A integração desses temas também faz parte da ação estratégica da Associação, uma vez que se entende que melhorias nas condições de trabalho e redução das desigualdades são pré-requisitos fundamentais para que o país possa superar sua condição de nação subdesenvolvida e se consolidar como uma democracia social.

 

4) Reconfigurações do trabalho

Coordenadoras:  Marcia de Paula Leite (Unicamp), Angela Maria Araújo (Unicamp) e Maria Aparecida Bridi (UFPR)

O objetivo deste GT é analisar as novas e velhas configurações que o  trabalho vem assumindo diante das profundas mudanças econômicas, sociais e políticas contemporâneas. Buscando compreender o trabalho não só como sujeito das transformações, mas também como ator social das mudanças em curso, o GT pretende dar lugar a discussões que analisem o trabalho em dimensões locais, regionais, nacionais e globais, bem como ensejar análises comparativas entre diferentes países e regiões. Nesse sentido, contempla temas de pesquisa de diferentes áreas do conhecimento, tais como: os novos sentidos do trabalho; organização e processos de trabalho; relações de trabalho, sofrimentos decorrentes do trabalho; gestão do trabalho; subcontratação, flexibilização; informalidade, precarização/precariedade do trabalho; formas de controle e de resistência referidas ao trabalho.

 

5) Sindicalismo e ação coletiva dos trabalhadores”

Coordenadoras: Patricia Tropia (UFU), Paula Marcelino (USP), Andreia Galvão (Unicamp)

  O objetivo deste eixo-temático é abordar as diferentes iniciativas e configurações assumidas pela organização e pelas lutas dos/das trabalhadores/as, no Brasil e no mundo, seja nos últimos tempos, seja numa perspectiva histórica mais ampla. Diante de um contexto de importantes transformações nos modelos produtivos e nas formas de organização do trabalho, quando têm sido introduzidas novas dinâmicas entre as escalas local, nacional, regional e global, procura-se compreender os novos padrões de ação sindical e outras formas de organização e de luta que nasceram como opções dos/as trabalhadores/as. O GT incorporará também trabalhos que tenham como objeto outros momentos históricos marcados por transformações similares, de modo a situar o momento atual com parte de processos de longa duração e a oferecer perspectiva comparativa entre diferentes conjunturas. Assim, serão contempladas reflexões sobre: práticas inovadoras de sindicatos de categorias tradicionais e de novas categorias de trabalhadores/as; as tendências da luta sindical em categorias com tradição de organização em diversos patamares; o perfil e estratégias de ação das novas entidades de representação nacional dos/as trabalhadores/as; as experiências das novas formas de organização dos/as, como a economia solidária e outras formas associativas; novas iniciativas internacionais de lutas dos/as trabalhadores/ as; os novos espaços institucionais de lutas dos/as trabalhadores/as; a relação entre sindicalismo e feminismo e entre sindicalismo e movimento ambiental.

 

6) Relações de gênero, raciais e geracionais no trabalho

Coordenadoras:  Hildete Pereira de Melo (UFF), Bárbara Castro (Unicamp) e Cristiane Soares (IBGE)

Eixo 1 – O universo do trabalho é constituído por outras relações de desigualdade que se entrelaçam à dimensão da classe. As relações de sexo, gênero e sexualidade, raciais, étnicas e geracionais são marcadores de diferença que configuram desigualdades e ampliam a heterogeneidade das situações e condições vivenciadas pelos/as trabalhadores/as. Este GT visa discutir essas situações de diferenciações, desigualdades, preconceitos e discriminação existentes no âmbito das relações de trabalho e do mercado de trabalho. Entendemos que estas relações são oriundas das condições históricas da formação da sociedade capitalista no Brasil e no mundo e que estas são reproduzidas pelas transformações organizacionais e tecnológicas da economia. Busca-se debater neste GT estas transformações sob o enfoque das discriminações e desigualdades de sexo, raciais e geracionais, bem como a partir de reflexões e pesquisas empíricas voltadas para a questão da interseccionalidade.

Eixo 2 – O desenvolvimento dos estudos de gênero ao longo das últimas décadas incorporou o conceito de divisão sexual do trabalho para caracterizar o trabalho remunerado prestado no mercado e o não remunerado relacionado à reprodução da vida. A feminilização do mercado de trabalho é uma realidade presente em todas as sociedades, porém inacabada, incompleta, posto que se processou sobre a marca da desigualdade e da precariedade. Apesar de o crescimento da presença feminina no mercado de trabalho ter sido acompanhado do avanço na escolarização, isso não significou uma inflexão na história das mulheres e nem nas relações de poder estabelecidas entre homens e mulheres. Elas ainda são majoritariamente responsáveis pelo trabalho reprodutivo e de cuidados, tarefas socialmente desvalorizadas, embora essenciais para a reprodução da vida. Desta forma, este eixo temático explora suas relações no qual o trabalho remunerado é realizado para o mercado e o não remunerado é prestado gratuitamente pelas mulheres para as suas famílias. Estas relações condicionam a inserção feminina no mercado de trabalho e determinam que as mulheres sejam as pessoas que precisam promover a conciliação entre as tarefas domésticas e as atividades profissionais.

 

7) Trabalho análogo ao escravo: conceitos, manifestações e desafios na sociedade contemporânea 

Coordenadores:  Vitor Filgueiras (Unicamp) Maurício Sabadini (UFES) e Ricardo Rezende (UFRJ)

Nas últimas décadas, um dos fenômenos do chamado mundo do trabalho que têm obtido mais destaque na sociedade brasileira, da academia aos meios de comunicação, é o trabalho análogo ao escravo. A despeito dos muitos casos de resgates de trabalhadores divulgados no Brasil, normalmente não fica claro, especialmente nas reportagens veiculadas na mídia, sobre o que exatamente está se tratando. Mas essa penumbra atinge também a literatura sobre o tema. Não por acaso, são utilizadas diferentes designações para o fenômeno, como trabalho escravo, trabalho degradante, servidão por dívida, trabalho escravo contemporâneo, dentre outras. É com base na confusão (frequentemente proposital) entre trabalho escravo e trabalho análogo ao escravo que as forças de dominação, sejam capitalistas ou agentes do Estado que os representam, atacam recorrentemente a colocação de limites à exploração do trabalho. Em alguns casos, fala-se simplesmente que não há trabalho escravo no Brasil. Mais recorrentemente, contudo, os ataques são canalizados à legislação brasileira, criticando o conceito de trabalho análogo ao escravo, em particular sua caracterização pelo trabalho degradante e jornada exaustiva contidas no artigo 149 do código penal. Trata-se, de fato, da luta pela imposição de limites à exploração do trabalho assalariado no Brasil. A disputa pela regulação do trabalho análogo ao escravo, seja no Congresso, especialmente após a promulgação da Emenda Constitucional que prevê a expropriação de propriedades flagradas, seja no Poder Judiciário, é um dos pontos centrais que envolvem o tema. Além disso, o papel da Fiscalização do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho expressa os avanços, os desafios e os limites da política pública de controle dessa forma de exploração do trabalho. O papel da sociedade civil, incluindo Pastorais, sindicatos de trabalhadores e organizações não governamentais, é aspecto relevante do debate. Ademais, pesquisas sobre a as formas de inserção e a própria identidade dos trabalhadores vitimados pelo crime tem merecido destaque no campo.

 

8) Trabalho e Educação 

Coordenadores: Aparecida Neri de Souza (Unicamp) e Remi Castioni (UNB)

As profundas transformações econômicas, tecnológicas, políticas e sociais a que se tem assistido nas últimas décadas têm sido responsáveis por intensas e complexas mudanças sobre o trabalho. Tais mudanças, que se dão ao mesmo tempo em vários planos (na organização do trabalho, nas formas de contratação, nas relações de trabalho, na organização e representação dos trabalhadores/as), interferem, por sua vez, de maneira muito importante na qualificação da força de trabalho, (re)colocando um conjunto de questões caras à Sociologia e a Economia do Trabalho. Nesse contexto, adquirem centralidade temas como: ciência e tecnologia; o papel do conhecimento na sociedade contemporânea; novas necessidades e possibilidades da organização da produção e do trabalho; desafios atuais da educação e da qualificação profissional frente às novas demandas do mercado e às possibilidades de desenvolvimento, de inclusão social e de cidadania; certificação de competências; os sistemas de formação profissional.

 

9) Condições de trabalho e saúde

Coordenadores: Jose Augusto Pina  (FIOCRUZ) e José Roberto Heloani (Unicamp)

Alta prevalência de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho caracterizam o vasto campo da Saúde do Trabalhador. No Brasil, parta relevante dos infortúnios laborais está diretamente associada a condições de trabalho historicamente precárias. Além disso, assiste-se à mudança no perfil do adoecimento devido à introdução de novas formas de organização e de gestão que têm aumentado a intensidade do trabalho e levado à deterioração das condições de trabalho. Assim, o mundo laboral atual criou contradições muitas vezes incompreensíveis para os profissionais. Se, de um lado, há uma hipervalorização da motivação para o trabalho, por outro, gera-se cada vez menos empregos estáveis e bem remunerados. Se as empresas propagam as vantagens do trabalho em equipe, o que se vê na prática é uma competição acirrada no seu interior e o declínio da ética no trabalho. Este cenário traz efeitos sobre as pessoas, que são exigidas no seu desempenho profissional a ser “flexíveis”, “globais” e “autossuficientes”- entre outras características. Isto acaba acarretando, como consequência, diferentes formas de sofrimento psíquico no trabalho. Segundo Christophe Dejours, “o trabalho não é, como se acredita frequentemente, limitado ao tempo físico efetivamente passado na oficina ou no escritório. O trabalho ultrapassa qualquer limite dispensado ao tempo de trabalho; ele mobiliza a personalidade por completo”. Desta forma, perguntamos se as organizações estão criando “Processos Organizativos” em seus ambientes que permitem  aos trabalhadores certa qualidade de vida e o mínimo de  satisfação; ou, ao contrário, se esmeram na elaboração de sistemas  que poderiam, sem muita cerimônia, ser denominados de “Processos Espoliativos” (Heloani, 2014). Concomitantemente a tudo isso, observa-se a fragilidade do movimento sindical para assumir o protagonismo da luta para a melhoria das condições de trabalho e a insuficiência das ações e políticas públicas de  proteção à saúde dos trabalhadores. Revelar os determinantes dos agravos à saúde dos trabalhadores, a precariedade do funcionamento das empresas e das condições de trabalho, assim como os mecanismos necessários à negociação social e a transformação das situações de trabalho, são elementos centrais para o debate, em perspectiva multidisciplinar, centrado em diversas abordagens de análise do trabalho.

 

10)  Cultura, identidade e subjetividade nos mundos do trabalho

Coordenadores: Alexandre Fortes (UFFRJ) e Darcilene Gomes (FUNDAJ)

Nos últimos cinquenta anos, pesquisas realizadas no âmbito de várias disciplinas vêm demonstrando o papel fundamental da subjetividade e da construção de identidades coletivas nos processos de formação e reconfiguração da classe trabalhadora. As recentes transformações da estrutura produtiva global impactam fortemente essas dimensões culturais da experiência do trabalho. Ao mesmo tempo, a ampliação do conhecimento histórico sobre estas temáticas permite hoje o desenvolvimento de análises muito mais precisas e nuançadas sobre continuidades e rupturas, tradições e inovações. Alguns exemplos de tópicos relacionados ao escopo deste grupo de trabalho: antigos e novos fluxos migratórios e as decorrentes transformações nas relações inter-étnicas no mundo do trabalho; o impacto de novas tecnologias e processos produtivos na experiência individual e coletiva do trabalho; a redefinição da relação entre trabalho e outras esferas da vida social, tais como a educação, a vida doméstica, a religião e o lazer; o impacto da industrialização e da desindustrialização sobre a vida de bairros e cidades operárias; o papel da memória do trabalho na construção e reconstrução de identidades em comunidades vinculadas a ocupações ou atividades econômicas específicas; o declínio de profissões tradicionais e a emergência de novas fronteiras entre o trabalho “especializado” e “não especializado”, “digno e indigno”; continuidades e transformações no âmbito da sociabilidade e do lazer dos trabalhadores.

11) Emprego, estrutura ocupacional e rendimentos.

Coordenadores: Ivan Moreira Targino (UFPB), Fernando Mattos (UFF) e Jordão Horta Nunes (UFG)

Nas últimas décadas, o mercado de trabalho brasileiro vem passando por profundas transformações, refletindo a dinâmica cíclica da economia brasileira. Durante as décadas de 1980 e 1990, houve expansão do nível de desemprego, incremento da informalidade e contração da renda média do trabalho. A partir de 2004, foram registrados o crescimento do emprego assalariado, a perda de participação do trabalho informal, redução do desemprego e melhoria da estrutura ocupacional e de rendimentos. No entanto, esse período também foi marcado por aspectos que  caracterizam a precarização de parte da estrutura ocupacional – por meio das subcontratações e terceirizações, intensificação do trabalho etc. – e manutenção das profundas desigualdades do mercado de trabalho brasileiro. Na década de 2010, observa-se, inicialmente, uma redução no ritmo das melhorias que caracterizaram o mercado de trabalho brasileiro na década de 2000. E, mais do que isso, uma reversão dessas tendências com as crises econômica e política que se abateram sobre a sociedade brasileira a partir de 2014. O atual cenário marca, também, uma forte investida contra os direitos trabalhistas, particularmente, após o impeachment da presidente da república. Há fortes sinalizações da desestruturação do mercado de trabalho com o agravamento do desemprego, da informalização e da deterioração da renda do trabalho, decorrentes da desregulamentação das relações de trabalho e do aprofundamento da crise. Esse eixo temático tem como objeto de reflexão as mudanças no emprego assalariado, no desemprego, na estrutura ocupacional e de rendimentos, com especial interesse sobre análises que contemplem as diferenças setoriais, as mudanças ocorridas nos setores formal e informal e as desigualdades (de gênero, cor, faixa etária etc.), assim como a relação dessas mudanças com as políticas públicas voltadas ou com impactos sobre o mercado de trabalho brasileiro.

 

12) Trabalho e Economia Solidária

Coordenadores: Luis Inácio Gaiger (Unisinos) e Mario Henrique Guedes Ladosky (UFCG)

As contradições inerentes à forma capitalista de organização social, que se manifestaram de maneira mais efetiva a partir da crise estrutural da década de 1970, vêm induzindo trabalhadores e trabalhadoras a buscar alternativas ao desemprego e às desigualdades sociais. A Economia Solidária, que é um fenômeno histórico e mundial, passou então a ganhar destaque no Brasil e no exterior como forma de organização de trabalhadores através de cooperativas de produção, cooperativas de trabalho, clubes de troca, bancos comunitários, fábricas recuperadas, associações, etc. Os Empreendimentos Econômicos Solidários, como ficaram conhecidos, caracterizam-se pelo trabalho associado e/ou autogestionário, pela propriedade coletiva dos meios de produção e pela divisão igualitária dos resultados. São empreendimentos que se apresentam como contrários à lógica de acumulação e competição capitalista buscando a emancipação do trabalho. Tendo por base estes elementos, o objetivo deste GT é a reflexão, a crítica e a apresentação de interpretações teóricas sobre as diversas experiências de trabalho relacionadas à Economia Solidária desenvolvidas no Brasil e no exterior. Os artigos devem descrever, comparar e analisar pontos como: 1 – as condições de trabalho dos trabalhadores da Economia Solidária; 2 – os processos de organização do trabalho associado/autogestionário e seus resultados; 3 – as políticas públicas que fomentam a geração de trabalho e renda através da Economia Solidária; 4 – o papel das experiências autogestionárias na ressignificação contemporânea do trabalho; 5 – Economia Solidária e terceirização.

 

13) Dinâmicas demográficas e trabalho

Coordenadoras: Eugênia Leone (Unicamp) e Moema Guedes (UFRRJ)

O debate sobre desenvolvimento econômico e mercado de trabalho no Brasil e na América Latina esteve sempre atento às dinâmicas demográficas e migratórias que estabeleceram, historicamente, limites e/ou oportunidades ao desenvolvimento. Noções como “bônus demográfico”, “feminização da força de trabalho”, “ondas migratórias” etc., compartilharam o espaço analítico com conceitos como “ciclos econômicos”, “segmentação do mercado de trabalho”, “informalidade”, “precarização” e tantos outros, com isso deixando patente que dinâmicas econômicas são a um tempo sustentadas e afetadas por dinâmicas populacionais e vice-versa. O objetivo do GT é inquirir essa inter-relação, desta vez com um problema geral em tela. Depois de um quarto de século de relativa estagnação econômica, o Brasil parecia ter retomado o rumo do crescimento, numa situação favorável em termos populacionais: queda nas taxas de fecundidade, boa proporção PEA/inativos, auge da participação dos jovens na PEA, migrações de retorno às regiões Norte e Nordeste, aumento da escolaridade da PEA, maior participação feminina etc. O crescimento econômico, porém, não se mostrou sustentável. Há relação entre dinâmicas populacionais e o fracasso das políticas econômicas desenvolvimentistas? Este será o tema geral de discussão do GT no próximo Congresso.

 

 14) Tecnologia, gestão e processos de trabalho

Coordenadoras:  Leda Gitahy (Unicamp) e Magda Neves (UFMG)

A proposta deste Grupo de Trabalho é de retomar e aprofundar o debate em torno das transformações tecnológicas e das inovações nas estratégias de gestão e organização do trabalho que foram centrais no desenvolvimento dos estudos que focalizaram a reestruturação produtiva nos anos 80 e 90. Atualizar esta discussão significa considerar pesquisas sobre as mudanças verificadas em empresas que têm introduzido novas tecnologias ou processos de automação, novas formas de organização do trabalho e novos padrões de uso do trabalho, de modo a esclarecer: até que ponto elas significam formas novas de controle da força de trabalho; suas relações com as tendências flexibilizadoras da produção e do trabalho; o peso dos processos de terceirização, assim como seus efeitos para distintos grupos de trabalhadores. Além disso, interessa debater as políticas de gestão do trabalho, que incluem as políticas de recrutamento e permanência, a política salarial e de benefícios, as novas exigências de escolaridade e qualificação, bem como as estratégias de envolvimento dos trabalhadores e sua relação com a maior ou menor autonomia desses últimos nas decisões relativas a seu trabalho. Também estão contempladas, neste GT, as especificidades do trabalho nos setores ligados a tecnologias emergentes (como o setor das chamadas TICs, a biotecnologia, os novos materiais, entre outros) bem como outras inovações ou mudanças relativas à gestão e suas implicações para trabalhadores e trabalhadoras.

 

15) História social do trabalho

Coordenadores: Paulo Fontes (CPDOC/FGV) e Elina Pessanha (UFRJ)

Na última década, a história social do trabalho no Brasil tem passado por um processo importante de renovação e ampliação. Uma nova geração de historiadores e historiadoras expandiram o escopo deste campo de estudos, incluindo áreas novas e pouco exploradas, como as discussões de gênero, etnicidade, trabalho “informal” e as conexões entre trabalho “livre”, trabalho “forçado” e escravo. Esta nova produção acadêmica também tem explorado novos aspectos de temas mais clássicos, como greves, sindicalismo, participação política, bem como o papel do Estado e das leis na configuração das estratégias de luta por direitos dos(as) trabalhadores(as), assim como na construção da cidadania e democracia no país. A abrangência geográfica dos estudos também foi alargada para além das áreas indústrias do Rio de Janeiro e São Paulo, tradicionais nos estudos consagrados da historiografia. Isso tem possibilitado uma maior atenção às diversidades regionais e uma visão mais complexa e sofisticada do processo de formação de classe no país. Apesar desses avanços, essa produção permanece ainda muito insular e restrita aos debates no interior da disciplina histórica. As apresentações deste grupo de estudo procurarão estimular um diálogo mais intenso e denso desta produção historiográfica com outras disciplinas centradas na análise dos mundos do trabalho.

 

Cronograma

Lançamento do Edital 30/11/2016
Submissão de Trabalhos De xxxx até 15/04/2017
Divulgação dos resultados da seleção dos trabalhos 31/05/2017
Pagamento das inscrições faixa 1 De 01/06/2017 até 01/07/2017
Pagamento das inscrições faixa 2 De 02/07/2017 até 01/08/2017

 

Direção da Associação Brasileira e Estudos do Trabalho

Nomes

 

Comitê Organizador Local

Nomes

 

Comissão Científica 
[Membros da Diretoria Colegiada da ABET que coordenam os GTs]

Silvia Maria de Araújo (UFPR) – Presidente
Alexandre de Freitas Barbosa (USP)
Amilton Moretto (UNICAMP)
Ana Claudia Cardoso (DIEESE)
Cássio da Silva Calvete (UFRGS)
Darcilene Gomes (FUNDAJ)
Fernando Mansor de Mattos (UFF)
Francisco Alves (UFSCar)
Hildete Pereira de Melo Hermes de Araújo (UFF)
Ivan Moreira Targino (UFPB)
José Dari Krein (UNICAMP)
José Marçal Jackson Filho (FUNDACENTRO-RJ)
Lauro Mattei (UFSC)
Liana Carleial (UFPR)
Magda Biavaschi (CESIT – UNICAMP)
Márcia Leite (UNICAMP)
Marcos Alexandre Ferraz (UFGD)
Maria Aparecida Bridi (UFPR)
Maria Cristina Cacciamali (USP)
Paulo Adissi (CT-FPB)
Roberto Alves de Lima (UFPE)
Roberto Véras de Oliveira (UFPB)
Rosana Ribeiro (UFU)
Sebastião Cunha (UFRRJ)

 

Comitê de Consultores Científicos 
[Pesquisadores de diversas áreas que têm o trabalho como objeto de estudo]

Adalberto Moreira Cardoso (IUPERJ)
Ângela Maria Araújo (UNICAMP)
Antonio David Cattani (UFRGS)
Cinara Rosenfield (UFRGS)
Elina Pessanha (UFRJ)
Elísio Estanque (Univ. de Coimbra)
Fernando Ponte (UFSC)
Giuseppe Cocco (UFRJ)
Jacob Carlos Lima (UFSCAR)
José Ricardo Ramalho (UFRJ)
Laís Abramo (OIT)
Lena Lavinas (UFRJ)
Lorena Holzmann (UFRGS)
Luiz Inácio Gaiger (UNISINOS)
Magda de Almeida Neves (UFMG-PUCMInas)
Marcelo Weishaupt Proni (UNICAMP- Cesit)
Marcio Pochmann (UNICAMP)
Marco Aurélio Santana (UFRJ)
Maria da Graça Druck (UFBA)
Nise Jinkings (UFSC)
Paulo Baltar (UNICAMP – Cesit)
Ricardo Antunes (UNICAMP)
Sadi Dal Rosso (UnB)
Sonia Rodrigues da Rocha (IETS)

 

Comitê Acadêmico
[Pesquisadores do trabalho envolvidos na organização dos GTs]

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